na forma de um sentimentozinho ruim e gelado no meio do peito
Brinco com as chaves e com os dedos, o destino brinca comigo. Perco-me um pouco pensando na hora (será tarde ou será cedo?), pensando na vida e, mesmo conhecendo as conseqüências, pensando no passado.
O passado tem essência estranha, complicado saber se é bom ou ruim encará-lo, dizer boas verdades, gritar indignações para a névoa intocável. Noto que o que me preocupa é o não-saber, a dúvida.
O difícil no passado é conseguir se convencer de que uma parte da sua vida precisa ser deixada para trás. E então… Foi tudo em vão? Não valeu a pena? É realmente melhor “deixar para lá?”
Algumas coisas serão sempre presentes na forma de um sentimentozinho ruim e gelado no meio do peito. Algumas coisas serão sempre ilusões perdidas. Perdeu-se a potencialidade e nem mesmo a essência restou.
O passado tão recheado de planos futuros. Futuro que agora é presente. Futuro que agora me pertence.
Escrever pode me levar a pensar que estou dando muita importância a isso e, portanto, não estou pronto para seguir em frente. Mas não! Escrevo para marcar, para descobrir, para sentir. Para não negligenciar o passado, para ser justo com meus sentimentos perdidos e fuzilados.
Mas volto sempre à conclusão de que o passado tem que ser deixado mesmo para trás, onde é o seu lugar. E o melhor remédio para estas feridinhas engraçadas é sorrir. Exatamente agora.