sem título.

O ventilador gira inesgotável logo acima. Minha mente cansada, metade louca metade sã, tenta coordenar sentimentos incoordenáveis, compreender sensações tão do passado…

E eu não sou o mesmo do passado. Muita coisa mudou, então acho imbecil me sentir incomodado por uma sensação tão… velha. Se ao menos tivesse nome… (aprendemos que é mais fácil odiar uma coisa depois que a conhecemos).

Minha mente, infectada pela lógica inventada desses tempos, cria listas do que preciso, do que já precisei, do que é imprescindível. Uma espécie de check-list de caráter investigativo. Algo fato ou algo está errado.

Mas isso não é lógico. Isso é uma sensaçãozinha estranha, um olhar mais demorado pro nada, uma aflição sem fim, um aperto diferente.
As pessoas falam que já existem muitas palavras pra muitas coisas. Queria ser tão tolo assim. Mas não…

Sei que coisas inexplicáveis rondam. Não as conheço, mas sinto. E é tão certo quanto… a dúvida.

Mas eu continuo pelo que vale a pena. Pelos sentimentos já conhecidos, os sabores já agradáveis, o calor tão necessário…

É como andar cambaleante quando não há alguém para me fazer esquecer.

É como um buraco.

Agradeço aos sentimentos vivos nomeados agradáveis corriqueiros certos. E já me sinto melhor…