música, pensamentos perdidos e vida em geral.
O sol rompeu as nuvens. Eu apreciava seus cabelos dourados quando você fechou os olhos, graciosa, e me sorriu. Guardei aquele sorriso sincero e preguiçoso na memória mais inesgotável e sorri de volta.
Agora eu estava deitado no gramado sem fim e você se deitava no meu peito, um pouco inclinada. As pernas dobradas e balançantes. Ambos olhávamos para o céu azul, as nuvens passeando descontraídas.
Alguma música surgiu do infinito daquele momento: os acordes crescendo e sumindo, a melodia constante e incompreensível, fácil de sentir. Um barulhinho que se misturava ao bater de nossos corações, agora tão forte. Você me olhava, os olhos castanhos. Eu tentava me concentrar em seus olhos, mas me perdia em sua boca, seu nariz, sua pele tão suavemente intocável.
Num ímpeto quase desesperado me contorci e inclinei meu rosto em direção ao seu. Nossos lábios se chocaram elétricos, seus movimentos tão graciosos, os meus tão desajeitados. E havia uma conexão inexplicável, uma energia que fluía e chegava. Não havia mais pensamentos perdidos, eu era todo sentimentos e sensações.
O cheiro leve-cítrico do seu perfume misturando-se ao sabor do gesto. Era… inexplicável. Irresistível, imperdível. Incompreensível.
Você tocou no meu pescoço e me puxou para perto, virando meu corpo em direção ao seu. Seus braços simples caminharam pelo meu corpo rapidamente, como quem tateia no escuro. Segurei sua mão e entrelacei à minha. Os movimentos se tornavam mais fortes, mais momento.
Larguei sua mão, mexendo em seus cabelos, inquieto. E abri os olhos para te observar uma única vez antes de tudo mudar. Você era incrivelmente linda, seus lábios molhados pelo meu.
Sorri.
Ela era inexplicável, irresistível, imperdível, incompreensível.
E agora, mais do que nunca, ela seria minha.