trapped in a web, but thinking that my spider is dead;
O que minhas mãos procuram no ar é o que minha mente está tão farta. Você deveria estar aqui, perto o bastante para eu sorrir e longe o bastante para te olhar. E o seu rosto que, se completando num sorrisinho bobo, ia me atrair para tão perto?
Quero toda a sua poesia de volta. Venha, traga-me todas as palavras. E como não consigo cansar deste ciclo? Você vem, você vai, e parece deixar comigo alguma semente insana que só faz brotar palavras. E pensamentos. E vida.
E eu, tão tão ingênuo, me ocupando com trabalhos, projetos e desprojetos, problemas e paradigmas, nem percebo que tudo isto é a minha salvação. Assim fico longe das idéias que me inseriu. Assim fico longe da saudade, não é mesmo?
Somos o que dura das noites de luzes brilhantes. Somos a certeza no mar de dúvidas. Somos o reconhecimento do outro no mundo dos egocentrismos.
Meus dedos brincam no nada como brincariam pelos seus cabelos. Meus meio-sorrisos não satisfeitos pela sua meia-presença. Acho engraçado me sentir completo, acho engraçado me sentir inteiramente aceito e feliz.
E eu fico aqui, com as mãos vazias, mas com a mente cheia. A noite de hoje não tem luzes brilhantes que cegam os ingênuos. A noite de hoje não tem o esbarrar indesejado de ombros. A noite de hoje tampouco te tem.
Queria que a noite de hoje preenchesse dois corpos buscando sintonia, dois corações buscando consolo. As luzinhas singelas da tevê.
As luzinhas singelas dos seus olhos.