near life experience;
A melhor parte de dormir era acordar. Tão bom acordar com você do meu lado, tão distraído e com sono. Acordar era ver e rever sua paz, aparentemente sem fim. E quando acordasse, me daria aquele sorriso sincero que só você sabe dar. Um pouco de lado, um pouco ingênuo, um pouco tudo. E me diria algumas palavras sem sentido; eu estaria perdido em alguma parte do seu rosto. Seu queixo, talvez suas orelhas. E seria a minha vez de dormir, de sonhar. Não seria a própria vida um sonho?
Você rolaria na cama e me ludibriaria astutamente a desistir das obrigações diárias e só dormir mais um pouco. Convenceria-me. E não dormiríamos. Ficaríamos naquele estado agradável de limbo entre o real e o sonho, entre a vida e a morte de nós dois. E é o melhor lugar para se estar, entre o tudo e o tudo.
Minhas mãos se perderiam entre seus cabelos macios, engraçados, recém-acordados. Você brincaria com algum cacho meu e eu diria não como quem diz sim. Riríamos baixo para não acordarmos nós mesmos. Cuidado para não acordarmos os problemas, as decepções – eu diria num tom quase inaudível. Você não ouviria e assim seria bem melhor.
Eu contaria meu sonho, você contaria o seu e eles seriam o mesmo. Ou se completariam. Prometeríamos alguma coisa boba que nunca se cumpriria; como repetir a manhã eternamente ou estarmos sempre juntos. O pássaro cantaria inútil lá fora e não conseguiria fazer com que levantássemos. Nossas mãos completariam um laço único, você me olharia profundamente, eu fingiria me perder no seu negro óptico. E levantaríamos juntos. E, agora sim, estamos prontos e acordados para a vida.