Julie & Julia
Assistir ao filme “Julie e Julia” no cinema foi exatamente como comer um bom bolo de chocolate em um fim de tarde: agradável, satisfatório, mas nem tão necessário assim.
E, para falar a verdade, descobri que gosto desse tipo de cinema. O cinema descontraído, recorte de uma vida e outra, simpático e leve.

Os bilionários efeitos especiais ficaram guardados na dispensa e fez-se uma torta recheada de atuações surpreendentes, roteiro simples e fotografia amena. Não podemos esquecer, no meio de tanto bolo e tanta torta, um elemento que captou um pouquinho mais da minha atenção (e, depois, do meu apreço): o destaque para a narração e a frustração de se ter um blog.
Não me lembro de algum outro filme decente que tenha tratado do assunto, mas posso estar enganado. O fato é que, Julie, uma das protagonistas do filme (como o nome claramente sugere), resolve livrar-se das frustrações do dia-a-dia criando um blog.
No começo, a sensação de escrever para o nada (ecos da própria voz?);
Depois, a satisfação de estar escrevendo;
Após, o ânimo de ser lido;
E, por fim, revoltas repentinas de falhar no processo.
A produção cinematográfica ainda realizou com maestria a proposta do filme, ou seja, retratar uma história baseada em duas vidas reais. Com a nuance correta, o filme relaciona fatos desta década com os da metade do século passado, entre Paris e New York, entre o inglês e o francês.
E é assim, simplesmente doce, que o filme se constrói. Fica a mensagem que o mundo das telonas não precisa (nem nunca precisou) de muito para ser fantástico, só precisa ser sincero e ter uma pitada de amor (nem que seja o amor pela culinária).
Enfim, bon appétit!
_____________________________________________________________________
obs - desconheço o motivo de ter escapado do habitual na publicação de posts, mas o que vale é a naturalidade (?) (: