Para o Ano me olhar e sorrir também;
ou 2010: O Ano
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Se um ano merece retrospectiva, 2010 é este ano. Seria injusto comigo, e com ele – o tal de 2010 -, dar adeus sem olhar para atrás. Olhar para trás é brincar com o passado, sentir velhas emoções e reconhecê-las, brincar com as cores, por vezes embassadas, do que já passou.
Alguns anos são 365 dias, outros 366. Mas são poucos aqueles anos reviravoltos, importantes, essenciais, cruciais. E é tão engraçado olhar para trás com os olhos de hoje… O passado é perigoso por causa disso – o anacronismo nos leva a júlga-lo com as lentes de hoje, nos esquecemos de tirar os óculos do agora e sentir, um pouquinho de angústia sempre vem junto sim, aquele cheiro da página virada.
Na tentativa de simplificar algo tão grande, obviamente me perco em desespero. Como achar uma palavra para este ano? Antes era tão fácil… Mas por pura metodologia, vou tentar assim mesmo.
2010 foi um ano de aprendizado. É inegável. E não digo só dos livros e textos que li, aulas que presenciei, línguas que aprendi e reaprendi. Isso não seria tanta novidade. Mas como deixar de lado um aspecto tão brilhante que já haviam me alertado e sempre fechava meus olhos para ele (ou não estava preparado para enxergar)? Aprendi que a sabedoria – conhecimento, ensino, aprendizagem, perspicácia – não está tanto assim nos livros e nas aulas, no conhecimento “material”.
Ter conhecimento, no final das contas, é conhecer. E para conhecer é preciso entrar em contato. Aprendi tanta coisa com tantos filmes, tantos teatros, tantos restaurantes, tantos lugares novos, tantas pessoas… Você aprende tanto “por tabela” dos outros também. Toquei um tipo de conhecimento outrora desconhecido. Essa tal história de “a vida ensina”? Isso mesmo. Nunca memoraziaria os nomes das ruas do Centro, da Lapa, de Copacabana (ou até mesmo de Barra Mansa e Volta Redonda, já que também redescobri um pouco dessas cidades) olhando mapas… Foi preciso ir até lá, tocá-las, sentí-las e vivê-las.
E o conhecimento também foi para dentro. Nunca me explorei tanto, nunca me testei e me desafiei tanto; resumindo, nunca me deixei tanto viver. A vida vinha e eu a abraçava com os braços abertos (alguns momentos de insegurança e medo, claro). Olho para Março e penso “você pertence mesmo a este ano?”. O perigo, e a atração, de se explorar é mudar e desmudar, descobrir e desconhecer. Tantos sentimentos que deixei transparecer. Quantos medos olhei na cara e disse “agora não! É a minha vez…”. Quanto de mim não deixei experimentarem? Meus medos, minhas vergonhas, meus sorrisos antes sempre quase escondidos.
Em 2010 eu mudei de cidade, conheci trilhões de pessoas novas, pessoas que nunca conheceria por “livre e espontânea vontade”, deixei para trás vários amigos (os bons, claro, sempre ficam). Me deparei com relações diferentes. Sotaques diferentes. E a diferença não é a graça de tudo?
Agora paro para pensar naqueles que querem “deixar 2010 para trás” e fico pensando nas maneiras que poderia explicar que isso é errado. Não vou numerar, não hoje. Mas chego a conclusão de que 2010 não teria sido tão bom sem 2009. Então, primeiramente, 2011 tem é que aprender com seu ano prévio. “Começar de novo” de um jeito inconsequente é deixar para trás os seus erros (e o que se aprende com eles), é querer não lidar com as coisas que te incomodam, comodismo perigoso de quem só espera e não age.
Olho para trás para olhar para frente. 2011 chegou, mas eu há muito já o tecia. E o esperava quieto, pouco ansioso. Bem vindo, take a seat. E sinta-se em casa. I’m definetely ready for you.