uma carta que recebi;

Fazia frio. O vento bagunçava os meus cabelos e enxergava somente manchas de luz a minha frente. Um colorido frenético e instável, bem diluído. De vez em quando tudo era preto. De vez em quando tudo era branco. 

Mas fato é que recebi uma carta. Assim, do nada. Não havia café sobre a mesa, a luz não estava meio-acesa de um laranja típico. Recebi aquela carta por completo, sem temor de rasgar seu envelope e ser tragado para aquela folha. A carta dizia:

Querido Gabriel,

Finalmente chegou a você, não é? E quão forte você tem sido! A força de reconhecer as fraquezas, de conhecer suas dependências e ousar-ser. E não se preocupe: de fato é difícil.

Não ligue para a dor, que acompanha o desafio e pode trazer o prazer. Não ligue para a expectativa, que te deixa alerta e te fazer brilhar. E, por favor, não ligue em simplesmente viver.

Viva que a vida te abraça. Sorria que nada te impede de ousar e de ser feliz. Se preocupe menos, ame mais. Mas ame são, não ame louco. E ame calmo.

E não pense, nem por um segundo, que o problema está em você. Reconhecer teus erros é tão importante quanto reconhecer os dos outros. E entender, e perdoar. Mas nunca, nunca, duvide de seu potencial. Do valor do seu sorriso e da força do seu esforço.

Olhe onde você está agora! Tudo que conseguiu e tudo que agora constrói para conseguir mais! E você tem sido tão bravo. Você se lembra daquele Gabriel extremamente quieto e arredio, temeroso do inesperado?

Você conseguiu. 

Tremi e sorri. Feridas se cicatrizaram e meus olhos se encheram de vida. O remetente importa?