a mesma mão (ou “da bipolaridade”)
É a mesma mão que agora observo que há pouco tempo tocava seu cabelo. Pouco tempo? Acho que vivo num paradoxo temporal, onde o muito e pouco são cambiáveis e o “já” e “ainda” são quase sinônimos.
Por que tamanha lembrança me vem agora? Devo enxergar esse ciclo de nostalgia versus otimismo de que forma?
Era fácil olhar pra trás e sorrir. E depois olhar pra frente.
Pra onde foi a facilidade? Se perdeu em cada plano apressado? Em cada pessoa que foi tão rápida quanto surgiu?
E a mão, que agora mergulha sozinha pelo ar, vai continuar neste paradoxo temporal? Neste limbo entre a lembrança e a expectativa? Entre o passado seguro e o futuro incerto?
Não há saída. A mão não pode ser lida.
E o tempo? Resolverá a si mesmo?